sábado, 4 de dezembro de 2010

Versos como quem espera...




Estou escrevendo como quem o faz pela última vez...

Como alguém que tem no peito a marca extremamente dolorosa da vida sem sentido, fútil...

Como alguém que sempre teve algo para dizer, mas que, na verdade, nunca disse, pois tudo o que lhe saiu pela boca, ou pelas mãos, não foi compreendido.

Sinto-me como um paradigma que não foi quebrado e continua insistindo em mostrar seu valor.

Pra que servem os pensamentos senão para serem expressos, difundidos, proclamados?

Mas, a partir daí, quando você, de fato, os expressa, está correndo o risco de ser contrariado, confundido, mal interpretado e até mesmo despercebido.

Quando seus pensamentos te levam a um lugar onde ninguém jamais foi, ou que você nunca tenha compartilhado...


 ...sinal de solidão!

A solidão é ambígua. 
Pode te permitir desfrutar de momentos enriquecedores, inspiradores, acalentadores. Ou pode te levar à beira de um abismo sem fim, onde não se enxerga o chão, onde as paredes são de vidro, pelas quais vocêe é visto, mas não é
tocado, sentido, afagado, libertado.
'Faço versos como quem chora", dizia o poeta, num instante de desencanto como o meu...

Choro, agora, como quem faz versos desencantados.


Meu coração, que é salvo pela Graça, disfarça pra não mostrar o quanto ainda reflete sua desgraça...

Despeja, gota a gota, de sua incrível sala de desalentos, toda a dor , todo rancor, todo furor...

Onde está o amor? 

Por que não é despejado, esbanjado, compartilhado, ou apenas gotejado?
Se apenas uma gota de sua potencial força basta pra arrastar multidões de pecados desenfreados...

Por que não expressamos, difundimos, proclamamos o amor?

O amor não é apenas para ser sentido, nem trocado.
Não é moeda de compra e venda,  às vezes em alta, outras em baixa. Hoje vale tanto, amanhã mais, ou menos.

É algo incomparável, inconfundível, intransponível, intransferível, imutável...

Único!

É a medicação que não vicia, mas sacia, cura.

Deveríamos oferecer de graça, uma vez que o recebemos assim.

Apenas por falar nele, meu coração, aquele salvo pela Graça, não disfarça mais a sensação de algo querendo entrar para acalentar, saciar, curar.


Vejo-me segura por uma tênue e reluzente linha de esperança, que me alcança e me faz voltar a compreender o antes incompreensível mundo...





Volto a fazer versos, agora sem choro, como quem espera.










 Apenas...
















MEU UNIVERSO - PG